Ninja Man – Murder Dem, Sleng Teng Riddim

Abril 2, 2008


Sleng Teng, o primeiro riddim digital

Abril 2, 2008

Uma pequena aula de riddim. Riddim é o ritmo, da palavra rhytmn, das músicas. É como se fosse a batida, mas também pode se referir a instrumentais especificos, já que o mesmo instrumental e levada é usada em várias músicas. Álias, uma das caracteristicas da cena musical jamaicana é a reutilização das mesmas levadas.

O sleng teng foi o primeiro riddim digital, feito num teclado Casio podrera, em 1985, e foi criado por Wayne Smith com o King Jammy. A primeira música com ele, under mi sleng teng, ainda é uma pedrada, e falava de que não era bom usar cocaína, que ela o transformava em louco haha. Além dessa, foram gravadas Buddy Bye, do Johnny Ousborne e Tenor Saw com Pumpkin Belly.

Ela foi regravada mais de 180 vezes, é o ritmo mais usado na Jamaica até hoje. Dá pra ver, ela até hoje serve de referência e tem uma séries de versões, como a Sleng Teng Ressurection. Há quem diga que a Under mi Sleng Teng seja a tune criadora do ragga muffin, mas talvez isso seja ir um pouco longe demais.

Fica aí a Pumpkin Belly, do Tenor Saw, mais famoso pela Ring the Alarm, do Stalag17 riddim.


Lennie Hibbert, mestre vibrafonista da Jamaica

Abril 2, 2008

Leonard Aloysius Hibbert, ou conhecido apenas como Lennie Hibbert, foi o rei do vibrafone na Jamaica.
Influenciado por Johnny Lyttle, um dos grandes mestres do vibrafone nos EUA, Lennie Hibbert começou cedo e logo aos 2 anos conseguiu uma pequena bateria encontrada no lixo.
Aos 8, entrou para a lendária Alpha Boy’s School, onde foi baterista.
Depois de sair da escola em 1944, tocou em pequenas orquestras até entrar em uma banda militar, em 1946. Foi durante essa época que ele aprendeu sozinho a tocar o instrumento que depois lhe daria fama. Mais tarde, retornou a Alpha Boy’s, está já com os grandes Floyd Lloyd e Vin Gordon como estudantes, mas no cargo de professor.
Seus dois albuns, “Creation” e “More Creation”, ambos produzidos por Coxsone Dodd, da Studio One, se notabilizam pela bela mistura do reggae, do soul, e até mesmo um pouco de calypso, de uma forma exótica, onde o vibrafone passa aquela boa sensação relaxante, sem deixar de ser dançante. O maior exemplo disso, é o seu maior sucesso, o híbrido reggae/soul “Village Soul” influenciado pela canção “Village Caller” de Jonny Lyttle. Nessa canção, com uma bateria cadenciada e suingada, e com o vibrafone de carro chefe passando uma sensação muito boa de tranquilidade. Em alguns trechos da músicas ainda podemos ver o som de um orgão auxiliando a manter o clima da canção até o final.
Na canção “Nature Boy”, com estilo mais batucado, e com notáveis influências do mento e do calypso, temos a participação de Jackie Mittoo no orgão, e claro, dando seu show particular sem ofuscar Lennie.

Com certeza, Lennie Hibbert faz parte daqueles artistas não tão lembrados, e que merecem ser escutados, não só pela qualidade, mas pela originalidade e elegância do som usando um instrumento que talvez seja um dos grandes expoentes da música negra, seja ela do caribe, seja ela norte americana.
Em 1976, Lennie Hibbert foi premiado com uma ordem ao mérito pelas suas colaborações na música e na sociedade jamaicana.
Sua dedicação sem cansaço em integrar jovens na música, na dança, na atuação, e claro, junto com seu grande talento musical, foram suas principais marcas ao longo da vida.
Lennie Hibbert nos deixou no começo dos anos 80.

Texto por : Raphael Morone


Ring the Alarm, Tenor Saw is dying

Março 27, 2008

Uma música que sempre me vem à cabeça, juntamente com o cantor, é a Ring The Alarm, do Tenor Saw. O começo dela, ‘ Rrrrrrring! Rrrrrrrrring! Ey, ring di alarm, ey, wo. Ring di alarm and not a sound is dying’, foi usado ad infinitum em sampler, numa série de músicas de ragga, e em outros estilos além. Isso vinte e dois anos antes da Beyoncé criar uma música com o mesmo nome, tornando a tarefa de achar a letra pra essa track um martírio.

A música é de 85, o riddim é o Stalag17. Os destaques do cara são a Pumpkin Belly, que usa o Sleng Teng riddim, o primeiro digital já feito, e o Roll Call. Além desses, uma que não deve sair do player nunca é a Lots of sign. “Life’s one big road with a lots of sign. Signs in both sides, come on, come on”. Além de letras fodas, o cara é com certeza um dos melhores deejays que me recordo. O feeling dele é inconfundível, e consegue casar bem o riddim ao vocal, coisa que nem todo vocalista de dancehall faz. Talvez isso explique porque ele seja tão sampleado no dancehall, o cara foi uma das grandes influências no começo, criando tunes que serviu de inspiração até depois da sua morte.

A maior tristeza da história do cara é que ele fez seu maior sucesso, ring the alarm, em 1985, e morreu em 1988, aos 22 anos, em Houston, por um carro em alta velocidade. O cara foi até homenageado pelo Supercat, com a música Nuff Man a Dead.


Mr Lover Man! Shabba!

Fevereiro 22, 2008

Aaaaah, quem não lembra do refrão ‘Mister lover man…SHABBA!’ ? O cara fez um sucesso do caralho na onda de um pequeno boom do dancehall, que também trouxe Shaggy com Bombastic. Nasceu na Sturgetown com o nome de Rexton Gordon e não cria mais nada desde seu dueto com King Jammy, porém é um dos ícones do slackness e das letras apimentadas do Dancehall estourado fora da Jamaica.

Um dos seus primeiros nomes foi Co-Pilot porque na Sound System fazia par com o selecter Navigator, e com ele lançou o single ‘heat under sufferer’s feet’, o calor sob os pés do sofredor.
Em 1989 o sexo virou o alvo de Shabba e lançou mais de cinquenta singles, muitos virando hits, como Live Blanket, e seu primeiro som a estourar, Telephone Love, do álbum Rappin with the ladies.

Seu clássico está presente, juntamente com Pirate’s Anthem, no LP holdin’ on. Mr Lover Man estourou nas rádios e teves, sem perdão. Até hoje muitos lembram dele gritando fanho o próprio nome após o coro Lover Lover. O cara depois dessa nunca mais emplacou nada internacionalmente e por isso ainda é visto como um artista ‘one hit wonder’.

Além disso, foi um artista controverso e com participações com grandes artistas, como Maxi Priest, Chuck Berry e KRS-One. Porém empersonificava um lado da Jamaica até então desconhecido para estrangeiros, com declarações como ser a favor da crucificação de homossexuais e letras dizendo que seria divertido se a Jamaica legalizasse armas para matá-los, na música No Mamma Man, ‘Homem sem mãe’. Essas polêmicas, entre outras, são dadas como razão para seu declínio sem volta. Porém, a homofobia é algo comum na jamaica e seus artistas, portanto, não se espantem se algo do tipo for citado com outros artistas.

Fiquem com uma track do cara que fez a cabeça das mulheres em Barbados, Twice my age, ‘O dobro da minha idade’.


Inner Circle, what you gonna do when dem come for you?

Fevereiro 22, 2008


Autores de muitas pedradas do reggae, o Inner Circle acabou se vendendo e se mesclando com a cultura e música pop após a morte em 1980 de seu líder, Jacob Miller , em um acidente de carro e que havia sido integrado à banda em 1976.

Apesar de ótimas músicas, a banda ficou famosa por alguns dos seus trabalhos ‘mais ou menos’, como a música Bad Boys, trilha do seriado ‘Cops’. Todos a conhecem e foi regravada ad infinitum. Lembra-se? Bad boys, bad boys, what you gonna do, what you gonna do when they come for you?
Essa foi uma música que foi originalmente lançada no álbum One Way, de 87, e relançada no disco chamado (pasmem) Cops. Juntamente nele havia outra tune popular e todos que se lembram minimamente dos anos 90 a conhecem. Qual?

Sweat (A-la-la-la-la Long) foi uma das mais tocadas da época, uma das piores músicas chicletes e das quais todos só conheciam o título e complementavam o resto da música com ‘nanãnãwooo naanaaaaaais aaaais ei!’.

Além dessas, ficaram famosos com Games People Play e Summar Jammin’, mas que não se equiparavam nem de longe com tracks mais antigas gravadas por eles, como a memorável Tenament Yard que, se não me engano, foi regravada de modo ainda melhor pelo imortal Max Romeo. A banda, que começou em 68, pelos irmãos Ian e Roger Lewis, lançaram discos pela Trojan e Island, e, após a infelicidade da perda de Miller, a banda deu uma parada. Porém voltaram em 1986, algo que não deveriam ter feito.

Fiquem com uma das melhores tracks feitas pelo ex-líder, Jacob Miller


King Tubby, pai do dub

Fevereiro 13, 2008

King Tubby, uma das maiores referências do Dub, nasceu com o nome de Ousborne Ruddock em 1941 em Kingston, Jamaica. O cara fez história como uma das maiores figuras do gênero, com sua tradicional coroa e tunes de derreter o coração de qualquer soundbwoy. Até hoje é citado como o inventor do remix.

Trampando no inicio com soundsystens como técnico, já que seu ofício era, na realidade, consertar rádios, após algum tempo formou sua própria, a Tubby’s HiFi. Foi um sucesso devido a qualidade sonora e o uso de echos e reverbs, que na época era novidade, mas depois iria eclodir em algo praticamente obrigatório em dubs e reggaes da época.King Tubby

Depois de trampar como cortador de discos pro Duke Reid em 1968, o pai do Dub foi requisitado a tirar os vocais das tracks, o que foi feito. Porém, com toda a aparelhagem do estudio, ele pode perceber que partes podiam se ressaltadas, mudadadas, rolando fades, echos e reverbs. Quanto aos vocais, eram deixados quase sempre a última palavra de cada frase, alongada ao infito. Muitos toasters costumavam a usar para um diálogo, quando cantavam em bailes e sound systens. O cara fazia músicas mudando os instrumentais pré existentes, só diferenciando ênfases, dando folego a velhas musicas sem ter o trabalho de produzir novos sons além dos que já haviam.
Eram levadas em contas principalmenta a ‘cozinha’, ou seja, o baixo e a bateria, pilares do dub. Ele fez parcerias com produtores como Lee Scratch Perry, Bunny Lee e o Rei da escaleta, Augustus Pablo.
Aqui entra o toasting, feito pelos deejays, que era cantar em cima da música, que iam do slacking à louvação, em cima da musicalidade ‘psicodélica’ do dub. Nessa época se consolidaram toasters de sucesso, como U-Roy, que esteve recentemente no Brasil, como outros. Essa foi a época de ouro dos toasters, que agora tinham uma liberdade imensa para cantar em cima dos riddims deixados pelo Tubby, que na realidade eram regravações de Ska e Rocksteady, porém, com outro ritmo, as vezes não tão dançantes, mas tão marcantes quanto.
As gravações eram uma sacada de gênio. Alguém gravava uma música, o lado b, ou VERSION, como eram chamadas, eram colocadas no mesmo disco. Portanto, você tinha uma gama muito maior de sonoridades produzidas. Assim como o uso do mesmo riddim (ritmo) era usada em outras músicas, como sempre foi um costume jamaicano com hits. Bom exemplo disso é o riddim de Israelites, do Desmond Dekker, que inspirou inúmeras ‘cópias’, como o Melô de Leão, nome maranhense para uma pedrada com o mesmo ritmo do hit de Dekker. O problema dos dubs em discos eram que muitos deles, não só os de Tubby, como os do Upsetters e outros, ultrapassavam em vendagem tunes como as de Bob Marley, na época dos Wailers.
Ele praticamente se aposentou da música no final da década de 70, porém deixou pupilos como King Jammy e Scientist, que já veio ao Brasil. E deveria ter vindo com Lee Perry, que não subiu no avião devido à más vibrações. Mas essa é outra história.
O Rei morreria em 1989, quando um grupo o esperava fora de sua casa, numa possível tentativa de assalto.
Pessoalmente, os álbuns King Tubby e SoulSyndicate – Freedom Sound in Dub, com a track Leaving Babylon in Dub, com seu baixo forte e bateria initerrupta, impersona bem o que é o dub. Já o casamento King Tubby Meets Lee Perry com a track Perfidia Dub, é de chorar com a união da escaleta, o piano e um orgão marcante. Isso sem contar o Meet the Rockers Uptown, com o Augustus Pablo, conhecidissíma.


As a little piece, baby…

Fevereiro 13, 2008

She said Sparrow all I want from you, I want from you
Is a little little piece baby, just a little little piece of the big bamboo”

-Mighty Sparrow, Big Bamboo

 

Começando um blog falando sério da música jamaicana e caribenha em geral, sem o pensamento pegajoso do conscious reggae. Pouca história de Jah, muito dos rudeboys e toda a malícia dos slackers. Assim é Big Bamboo.


Estamos no…

Fevereiro 13, 2008